11 dezembro 2006

Sobre as culturas alternativas


Rodrigo Miragaia - Professor de Artes - Lisboa

Notícia a que se refere: Rui Rio acaba com os subsídios


(Resposta às declarações feitas pelo Dr. Rui Rio, em entrevista à RTP1, no dia 7 de Dezembro)
Dr. Rui Rio:
Sou professor de artes no Ensino Secundário, nos arredores de Lisboa, e quase todos os dias sou confrontado com uma atitude arrogante perante a arte. Nas múltiplas apresentações que faço aos meus alunos (inclusive em visitas de estudo a locais tão distintos como a Casa de Serralves) sou permanentemente confrontado com a questão indignada dos alunos bocejando: "isto é que é arte?".
O assunto atinge-me pessoalmente, que já vi muitas vezes projectos saídos da "sarjeta" (ou seja, da persistência de uns "loucos" sem assistência) para se tornarem na bandeirola da cultura, na oferta cultural de excelência, no ex - libris de um circuito alternativo, que faz muito mais no estrangeiro do que qualquer espectáculo de fogo-de-artifício, que o sr. tanto gosta de patrocinar.
Mas nem todos são projectos benditos. Alguns recusam-se a entrar no sistema de endeusamento da tal cultura institucional oferecida como rebuçado às populações e turistas famintos de espectáculo fácil. Alguns resistem brincando, questionam ironizando, observam humildemente para criar sub – produtos, porque inseridos numa sub – cultura, esta, sempre incompreendida pelo poder regente deste país. Sabe porquê? Porque alguma da produção artística, a arte libertadora, desenvolve-se em confronto com a autoridade (talvez porque não alimenta regimes) e sem compreender que isso é uma necessidade vital e intrínseca a uma democracia saudável, o Sr. nunca será um grande líder.